Panelaço − o paradoxo dos silenciosos

por Tony Monti

Amanhã, terça-feira, o PSDB vai à TV discorrer sobre crises econômicas, éticas e políticas, focalizando o governo federal e o PT, sem jogar nenhuma suspeita sobre questões estruturais do país nem sobre os governos de outros partidos. Quando, há algumas semanas, era o PT na televisão, o PSDB chamou um panelaço: fazer barulho sobre uma causa simples, contra algo, velando, com o barulho feito sobre a energia dos eufóricos e desejosos, interesses e favorecimentos político-eleitorais.

Se, amanhã, alguém, algum grupo, quiser fazer uma queixa mais silenciosa, mais política e mais complexa, possivelmente não baterá panelas. O impasse não é novo. Para se fazer escutado, para causar repercussão em maior escala, é preciso simplificar o discurso e fazer barulho. Como se faz isso quando o que se quer é justamente tornar a discussão mais ponderada e complexa?

Se, amanhã, alguém, algum grupo, fizer um panelaço durante o programa eleitoral do PSDB, qual a chance de a mensagem transmitida ser a de que é possível fazer uma crítica ao governo federal, mais política, menos ruidosa, à esquerda? A pauta está dada. Infelizmente a polarização PT x PSDB toma o lugar da discussão sobre as estruturas, as reformas, a política. É difícil estabelecer agora uma alternativa à esquerda que não seja, ou pareça aos olhos de muitos, uma adesão ao PT. Mas é preciso.

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